
I - Considerações gerais
sobre as políticas públicas para a juventude:
- No Brasil nunca houve uma
tradição de políticas especificamente destinadas aos jovens. São recentes os
serviços especiais de saúde e os programas de formação profissional destinados
à juventude. O que existe há mais tempo, além do discurso estéril e do
assistencialismo típico da cultura brasileira, são ações estreitas e limitadas
das instituições e entidades direcionadas apenas ao atendimento dos jovens
carentes, infratores ou em situação de risco.
- Esses programas
assistencialistas têm se limitado à tentativa de conter o risco real ou
potencial desses garotos, pelo seu afastamento das ruas ou pela ocupação de sua
ociosidade. O foco dessas ações, em grande parte, é enfrentar os
"problemas sociais" que afetam a juventude, mas acabam tomando os
próprios jovens como o "problema" sobre o qual é necessário intervir,
para salvá-los (numa idéia quase messiânica) e reintegrá-los à ordem social.
- Também no plano político,
a preocupação tem sido mais com a ausência dos jovens nos espaços e canais
pré-estabelecidos de participação político-partidária ou estudantil do que
propriamente com questões políticas relativas à realidade juvenil, como se os
jovens não pudessem interferir além deste ponto determinado. Os partidos
políticos (e suas juventudes organizadas, que na maioria das vezes são meros
partidos de calças-curtas, reproduzindo os vícios da matriz) se mostram
incapazes de atrair o interesse dos indivíduos e dos grupos juvenis que, por
exemplo, atuam na esfera do comportamento, do esporte e da cultura, ou mesmo em
organizações não-governamentais, alheios ao cotidiano político-partidário ou ao
movimento estudantil, mas se bem orientados e mobilizados em torno de objetivos
claros, justos e contemporâneos poderiam desempenhar importante papel no
diálogo com a nova geração.
- Até por esse
individualismo típico da juventude de hoje e do agravamento da violência (que
tem entre as crianças e os adolescentes cada vez mais os seus protagonistas), o
"mundo adulto" costuma ver o jovem como o problema, como agente da
insegurança e da criminalidade. Muito do que se diz sobre a juventude
simplesmente ignora, desconhece ou nega as potencialidades dos jovens. Ver o jovem
como problema tem conduzido só a dois tipos de políticas: as repressivas ou as
de prevenção (mas nenhuma propositiva e transformadora dessa realidade).
- Com isso, fica evidente
na maior parte da abordagem relativa à juventude uma enorme dificuldade de
considerar os jovens como sujeitos da ação, mesmo quando é essa a intenção, e
de incorporá-los como capazes de formular questões significativas, de propor
ações relevantes, de sustentar um diálogo propositivo com o poder estabelecido,
de contribuir para a solução dos problemas sociais e até de fazer uma
autocrítica e decidir sobre o seu próprio destino.
- Somente a população de
jovens entre 16 e 17 anos, segundo o IBGE, soma no país quase 7 milhões de
pessoas. Cada um em três adolescentes nessa faixa etária já tirou o título de
eleitor, mas pouquíssimos se sentem representados por algum partido político
(muito menos por alguma das juventudes partidárias que se propõem
unilateralmente a desempenhar esse papel de "porta-voz" da nova
geração, quase que exclusivamente voltadas ao movimento estudantil).
- Em São Paulo, por
exemplo, um quarto da população da capital está na faixa etária entre 15 e 24
anos. Destes, pelo menos 1,5 milhão de jovens entram por ano no mundo do
trabalho e do "não-trabalho". Embora constitua parcela significativa
da população, a juventude é praticamente ignorada pelo Poder Público. Os
problemas dos jovens estão voltados para questões como emprego, educação,
cultura, lazer, saúde, sexualidade, drogas, meio ambiente e qualidade de vida,
mas a eles está reservado um papel meramente passivo neste processo.
II - Desta análise,
podemos tirar alguns parâmetros para pensar a questão da juventude:
1) O jovem é parte da
solução, portanto já não pode mais ser visto simplesmente como um problema.
·
O
jovem deve ser visto como participante ativo, solidário, construtivo e criativo
na solução de problemas reais, na escola, na família, na comunidade e na vida
social mais ampla.
2) Partir dos ‘problemas da
juventude’ para soluções concretas. Ao contrário de focalizar o jovem como o
problema, assumir a construção de uma nova ‘política para a juventude’, um
conjunto de ações articuladas (de políticas de educação, cultura, saúde, de
luta contra a exclusão etc.) para todos os jovens cidadãos, assegurando a
diversidade de formas de ser, pensar e agir da juventude e das diferentes
"tribos".
3) Fazer política juvenil
(sem demagogia) com a participação do jovem, pelo jovem e para o jovem. Criar
mecanismos que incentivem e garantam a participação direta do jovem na esfera
pública, colaborando na resolução de problemas reais e envolvendo-o como agente
principal em questões que lhe dizem respeito.
4) As propostas da
juventude e para a juventude devem fazer parte de um projeto mais amplo
(educação, lazer, cultura, saúde, meio ambiente, participação política etc.) e,
ao mesmo tempo, criar/consolidar meios e critérios que atendam sua
especificidade. Por exemplo: abrir espaços alternativos no atual mercado de
trabalho (ou encontrar fórmulas cooperativas auto-sustentáveis) para que os
jovens até então excluídos possam aprender, sintam-se incluídos na sociedade e
recebam algo positivo em troca daquilo que estão podendo oferecer para sua
própria comunidade, num exercício explícito de cidadania.
5) Qualquer política para a
juventude deve priorizar sobretudo os vínculos com a família, com a escola e
com outros ambientes e equipamentos sócio-culturais; essa deve ser a regra,
jamais a exceção. Em segundo plano está o trabalho sócio-educativo com os
chamados jovens "em conflito com a lei", mas antes de pensarmos na
correção devemos centrar esforços na prevenção: restaurar os laços do
adolescente com a família, com a sociedade e a cultura, produzir e ampliar suas
trocas (materiais, afetivas e sociais), garantir seus direitos e definir seus
deveres.
6) O planejamento e a
execução de uma política consistente nas áreas de educação (do ensino básico à
universidade gratuita com acesso facilitado aos jovens carentes),
profissionalização (cursos técnicos, bolsa-escola, bolsa-trabalho), esporte,
cultura, saúde e meio ambiente contribuem para a construção de laços de
pertinência e participação comunitária; para a conformação de projetos de vida,
com horizontes e perspectivas de futuro; e consequentemente para a ‘prevenção’
dos desvios para a violência e para a criminalidade.
7) Portanto, entendemos que
a tarefa maior de uma Juventude Democrática de Esquerda, sem o ranço das velhas
organizações intrapartidárias, é ajudar o jovem a construir a sua identidade e
o seu projeto de vida. Isto inclui, além das oportunidades educacionais e de
profissionalização, uma política construtiva do tempo livre, de garantia de
seus direitos fundamentais, da preservação do ambiente e melhoria da qualidade
de vida, e da inserção sócio-cultural e política.
III - Uma Política Educacional para o
Terceiro Milênio
Há duas etapas prioritárias
a percorrer para melhorar a Educação no Brasil: 1) Facilitar o acesso de
crianças e jovens à escola e garantir a sua permanência pelo maior tempo
possível; 2) Consolidar o ensino analítico e a formação de cidadãos
conscientes, críticos e preparados.
O maior entre tantos
problemas referentes à nossa Educação é provavelmente originado já na concepção
de ensino como serviço social que o Estado é obrigado a manter por força da
lei. Disso resulta a desvalorização da educação (e dos profissionais envolvidos
nesse processo), os desvios de recursos, o sucateamento das escolas e a
pedagogia da simples reprodução do conhecimento (o "decoreba"),
subordinada à precariedade da nossa situação econômica e social.
Daí a inexistência de uma
política educacional que garanta o acesso e a permanência da criança e do jovem
na escola, da gestão democrática e, sobretudo, de um ensino de qualidade para
todos. A ausência de um projeto de educação que articule as várias esferas
atuantes no setor (a rede estadual, a municipal, a federal e a privada), os
vários níveis e modalidades de educação e que leve realmente à construção de um
projeto de desenvolvimento humano e de cidadania.
Se não optarmos pela
mudança de conceito e de estrutura, jamais haverá espaço para uma política
pedagógica que garanta à escola ser espaço de produção de conhecimento. Impera
ainda a concepção "bancária" da escola, tal como a definiu Paulo
Freire: a escola em que o professor deposita informações e as cobra no final de
um período. A escola, assim, é apática, fechada em si mesma, triste.
Profissionais desmotivados e alunos passivos cumprem rituais vazios.
A política educacional que
defendemos, ao contrário, é basicamente a concepção ideal de educação expressa
no Plano Nacional de Educação, construído pela sociedade civil nos CONEDs
(Congresso Nacional de Educação):
"A educação escolar
é um instrumento fundamental para o desenvolvimento econômico, social, cultural
e político de um país, de seu povo, e para a garantia dos direitos básicos de
cidadania e da liberdade pessoal. Nesse sentido, este Plano concebe a
escolarização como um patrimônio da sociedade; sua administração, planejamento
e execução devem-se dar da forma mais ampla e democrática possível, abrindo
espaço para todas as concepções, culturas, etnias, princípios e orientações,
respeitado o conteúdo expresso na Constituição Federal de 1988.
A educação é aqui
entendida como um instrumento de formação ampla, de luta pelos direitos da
cidadania e da emancipação social, preparando as pessoas e a sociedade para a
responsabilidade de construir, coletivamente, um projeto de inclusão e da
qualidade social para o país." (PNE- proposta da sociedade civil. 1997)
Tendo esses referenciais
como princípios para a nossa política educacional, tiramos pelo menos outras
três diretrizes de ação: 1) Democratização do acesso com garantia de
permanência na escola, inclusive àqueles jovens e adultos que não estiveram na
escola na época apropriada. 2) Democratização da gestão da educação, como forma
de romper com velhos paradigmas de decisões centralizadas e autoritárias. 3)
Democratização do conhecimento, entendida como a articulação de valores locais
e regionais com a ciência e a cultura universalmente produzidas.
Outra das nossas bandeiras
deve ser a luta para fazer com que a escola pública volte a ser modelo de
ensino no país, como ocorria em outros tempos; além de fiscalizar a aplicação
mínima de 30% das receitas orçamentárias em Educação, como determina a lei; e,
principalmente, saber exatamente como e onde estão sendo investidas essas
verbas.
Criar escolas e cursos
profissionalizantes, em parceria com sindicatos e empresas privadas; implantar
um amplo programa de reforma e conservação das escolas públicas, com a
participação da própria comunidade; garantir a segurança de alunos, professores
e funcionários das escolas; combater o tráfico de drogas; garantir transporte
gratuito para os estudantes.
Oferecer merendas completas
em creches e escolas infantis, obedecendo a critérios e estudos nutricionais;
combater a evasão escolar e a repetência, propiciando o real aprendizado e a
motivação do aluno; incentivar a permanência da criança na escola, com a doação
de cestas básicas às famílias dos alunos com presença frequente e bom
aproveitamento escolar; oferecer periodicamente programas de capacitação e
aperfeiçoamento de professores, especialistas em educação e profissionais de
apoio.Dar condições para os Conselhos Municipais de Educação, em conformidade
com a lei, terem realmente um papel destacado na fomentação e na formulação de
uma política educacional condizente com as necessidades e expectativas das
populações locais, com a participação ativa de educadores e da comunidade.
Garantir vagas em creches e
escolas infantis em número suficiente para absorver toda a procura; ampliar os
cursos de suplência e de alfabetização de adultos; garantir o fornecimento de
material escolar didático-pedagógico às escolas e aos alunos; garantir
atividades extra-curriculares em convênios com a iniciativa privada.Garantir
aos alunos da rede pública acesso gratuito à Internet, conta própria de e-mail
e acompanhamento de presença e aproveitamento escolar, aos pais, também pela
Internet; criar cooperativas de ensino, compostas por pais e educadores, para
administração e gerenciamento das escolas públicas; criar núcleos de
assistência social, psicologia e pedagogia para acompanhamento de alunos com
problemas relacionados à frequência, disciplina e/ou aprendizado, bem como
orientação a seus familiares.
Criar mecanismos para
agilizar a substituição temporária de professores, evitando o comprometimento
das atividades escolares e de apoio; implantar escolas de período integral, com
o período normal da aula acrescido de atividades esportivas, recreativas,
artísticas e culturais; proporcionar um amplo atendimento de saúde aos
estudantes, com acompanhamento físico, odontológico, psicológico, oftalmológico
e fonoaudiológico.
Educar as crianças e jovens
para atividades extra-classe e problemas comuns da sociedade, com noções de
higiene e saúde, meio ambiente, educação sexual, segurança, pais separados etc;
incentivar os convênios e parcerias com a iniciativa privada para a co-gestão,
reforma, manutenção e "adoção" de escolas públicas; entre outras
políticas específicas e diferenciadas para o movimento estudantil.
IV - O PPS, a
Juventude e a Cultura Nacional
*
"Eles eram poucos e nem puderam cantar muito alto a
Internacional naquela casa de Niterói em 1922. Mas cantaram e fundaram o
partido.
Eles eram apenas nove. O jornalista Astrojildo, o contador
Cordeiro, o gráfico Pimenta, o sapateiro José Elias, o vassoureiro Luís Peres,
os alfaiates Cendon e Barbosa, o ferroviário Hermogênio e ainda o barbeiro
Nequete, que citava Lênin a três por dois.
Em todo o país eles não eram mais de setenta. Sabiam pouco
de marxismo mas tinham sede de justiça e estavam dispostos a lutar por ela. Faz
sessenta anos que isto aconteceu. O PCB não se tornou o maior partido do
Ocidente, nem mesmo do Brasil. Mas quem contar a história de nosso povo e seus
heróis tem que falar dele. Ou estará mentindo."
(Do poeta Ferreira Gullar, em março de 1982, nos 60 anos do
ex-PCB)
*
Um partido político que se
pretende "jovem", vivo, íntegro e dinâmico, radicalmente democrático,
sério e coerente não pode deixar de considerar prioritária a questão da cultura
nacional. E a cultura deve ser entendida como um instrumento fundamental de afirmação
da cidadania, definidor da possibilidade de termos (ou não) um verdadeiro
projeto de Nação.
O PPS, desde a fundação e
mais recentemente no programa de governo de Ciro Gomes elaborado em 1998,
propõe a "animação" da identidade cultural brasileira, aprimorando os
mecanismos de renúncia fiscal para produção artística, com aplicação direta de
subsídios, sob controle e supervisão da sociedade.
Prega ainda que é preciso
promover investimentos na afirmação desta identidade cultural em todas as
linguagens, não só naquelas de retorno comercial garantido, mas nas
experimentais, no vanguardismo artístico.
Mas o que, afinal, o PPS
pode propor na área cultural? Qual a nossa contribuição para esse novo milênio?
O que podemos transformar, melhorar, resgatar, incentivar, debater, inovar?
Qual o papel de cada militante partidário nessa ação política e cultural?
O fato é que nós, jovens
militantes e trabalhadores das artes, da cultura, da comunicação e das ciências
humanas resolvemos tomar a frente na busca dessas respostas. Não vamos esperar
de braços cruzados que caia em nosso colo um "pacote cultural"
pronto, fechado, atrasado, vazio. Nós que defendemos uma política com ética,
dignidade e consciência dentro do PPS temos um dever histórico a cumprir: somos
herdeiros legítimos das lutas sociais e culturais do velho PCB e precisamos
manter viva essa tradição.
A ação político-cultural
que aqui nos propomos a seguir, honrando velhos companheiros e militantes
imortalizados na história do PPS, significará a afirmação de um partido
comprometido com a participação popular permanente, com a ética, com a
solidariedade, com a criatividade e com a clara distinção entre o interesse
público e os negócios privados. O combate ao modelo da exclusão social,
cultural e política, da corrupção, do individualismo, da mentira, da miséria e
da demagogia.
O que o PPS e a Juventude
fazem aqui é reafirmar a esperança no Brasil e no nosso povo.
Não é à toa que o dirigente
pioneiro do velho "Partidão" foi um intelectual, o jornalista
Astrojildo Pereira, então líder anarquista e considerado até hoje como um dos
mais originais pensadores do socialismo em nosso país.
No ano de 1922, pelo menos
três grandes acontecimentos varreram o Brasil de ponta a ponta, com sua
influência e reflexos de cunho cultural e político: a Semana de Arte Moderna, a
eclosão da Revolta dos 18 do Forte de Copacabana (que descortinou o movimento
tenentista posterior) e a criação do pioneiro PCB, então denominado Partido
Comunista do Brasil.
Conforme acentuam
historiadores, os três fatos não tiveram necessariamente nenhuma ligação entre
si, mas no processo histórico acabariam, de alguma forma, por se encontrar.
Representavam uma grande "sacudida" do país em direção à modernidade
e um casamento eterno, indissolúvel, da nova esquerda brasileira da época com
essa vanguarda sócio-cultural.
E o PCB, com sua militância
exponente e aguerrida, contribuiria decisivamente para a cultura brasileira -
na Bossa Nova, nos CPCs (Centros Populares de Cultura), no Cinema Novo e na
luta incansável pela redemocratização do país.
Em um país pouco dotado de
universidades e centros de pesquisa, os velhos comunistas tiveram papel
destacado no campo das artes, da pesquisa social/ histórica/econômica, e
editorial. O PCB criou várias editoras ao longo das últimas décadas, introduziu
no Brasil grande parte da literatura socialista e marxista, editou revistas em
várias áreas de interesse e chegou a publicar dez jornais diários diferentes no
período da democratização de 1946, constituindo-se em uma grande cadeia de
informação e debates, talvez só suplantada pelos Diários Associados, de Assis
Chateaubriand. Foi, certamente, a maior escola de jornalismo do Brasil pelo
menos até o final da década de 50.
Além do que, passaram pelo
PCB nomes ilustres da cultura brasileira: Oswald de Andrade, Patrícia Galvão
(Pagu), Jorge Amado, Graciliano Ramos, Raquel de Queiróz, Carlos Drumond de
Andrade, Álvaro Moreyra, Afonso Schmidt, Eneida de Moraes, Mário Schemberg,
Edson Carneiro, Catulo Branco, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Oscar
Niemeyer, Vilanova Artigas, Aparício Torely (o Barão de Itararé), Caio Prado
Júnior, Nelson Werneck Sodré, Ferreira Gullar, Edgard Carone, Dias Gomes,
Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha), Gianfrancesco Guarnieri, João Saldanha, Paulo
Pontes, Mário Lago, Leon Hirsmann, João Batista de Andrade, Cláudio Santoro,
Silas de Oliveira, Noca da Portela, Bete Mendes, Francisco Milani, Stephan
Nercesian, entre muitos outros artistas, cientistas, jornalistas e
intelectuais.
V - Cultura: do discurso
à ação
A omissão do poder público
nas áreas da cultura, esporte e lazer constitui um dos fatores para a expansão
do espaço da segregação social. E essas lacunas são notadas tanto nas
principais capitais do país como nos mais distantes rincões, de forma mais ou menos
acentuada, com a falta de equipamentos e de atividades capazes de combater a
ociosidade e a ausência de perspectivas que pautam o cotidiano dos nossos
jovens e adolescentes.
Com o elevado nível de
desemprego relacionado também ao índice alarmante do abandono escolar, a
ociosidade tornou-se um problema social gravíssimo, sem que tenha, no entanto,
recebido um combate à altura pela esfera pública, especialmente nas áreas da
cultura e do lazer.
Uma sociedade que não abre
espaços para o fomento de bens culturais condena seu povo à escuridão da
ignorância e da barbárie. Os espaços culturais e de lazer são o oxigênio das
comunidades. Um país sem cultura é uma Nação morta.
Portanto, preservar a
história e as tradições do nosso povo e manter a efervescência cultural, seja
ela típica de uma grande metrópole ou de qualquer cidadezinha interiorana, é a
luta a ser encampada pelo PPS e por sua Juventude no âmbito da cultura
nacional.
Precisamos reformular,
reestruturar e remodelar um conjunto significativo de bibliotecas, teatros,
casas e centros culturais, museus etc. Precisamos preservar e recuperar o nosso
acervo histórico. A cultura é a riqueza maior de um povo, e o PPS não pode
ficar para trás neste quesito, em pleno século 21.
Investir na cultura é
apostar na cidadania. A cultura transformando corpos e mentes no resgate da
identidade e auto-estima da população; descentralizar ao máximo a ação do poder
público na área cultural, propiciando fácil acesso às diversas manifestações
artísticas e culturais de cada região, favorecendo a descoberta de novas
vocações e o aperfeiçoamento técnico que propicie a formação de novos artistas
e consequentemente novas opções de empregos; promover o incentivo à Cultura,
tanto por meio dos governos municipais, estaduais e federal quanto através de
parcerias com a iniciativa privada, dando visibilidade e apoiando as
manifestações já existentes nas localidades.
Estabelecer parcerias com
universidades e outras esferas do poder público estadual, federal e
instituições como SESC, Senac, ONGs, escolas de samba, trios elétricos etc;
promover programas de cultura, lazer e esportes dentro de um pensamento de
desenvolvimento físico e integração social; descentralizar e popularizar as
apresentações de grandes eventos artísticos, orquestras, teatro, shows musicais
e folclóricos; aperfeiçoar e desburocratizar a legislação de incentivos à
cultura; valorizar o enfoque multicultural e a pluralidade étnica das regiões;
reforçar a identidade cultural e as raízes históricas de cada parcela da
população.
Criar espaços culturais,
casas de arte e oficinas de trabalho nas zonas mais carentes e garantir o
intercâmbio cultural entre as diversas regiões, sem perder as suas
características individuais; promover atividades de cultura e lazer nas praças,
escolas e bibliotecas públicas, com programações semanais; conservar as praças
públicas, com a instalação de áreas de lazer para crianças e para a terceira
idade; implantar oficinas nos bairros para formação, treinamento e qualificação
de pintores, grafiteiros, músicos, artistas plásticos etc.
Outras ações importantes
relacionadas: fomento à preservação da memória das comunidades negra e
indígena, resgatando tradições e combatendo a discriminação; lançamento de
exposições e mini-feiras culturais itinerantes, em parceria com entidades da
indústria, do comércio, da área de serviços e do chamado terceiro setor;
desenvolvimento de práticas desportivas com campeonatos inter-bairros, para
crianças, jovens e idosos, utilizando os espaços de escolas municipais em
finais de semana; promoção de lazer para jovens carentes por meio de viagens
baratas e hospedagem em albergues da juventude.
Criar museus em todos os bairros das grandes capitais e nos principais municípios de todos os estados, resgatando a história dessas comunidades e recuperando documentos, depoimentos, usos e costumes de sua população; valorizar orquestras sinfônicas, grupos folclóricos, balés, corais e teatros municipais, bem como outros prédios históricos; criar oficinas culturais e circo-escolas em todas as áreas atendidas por subprefeituras nas capitais; promover a apresentação gratuita de artistas nacionais e internacionais em áreas públicas; incentivar a produção artística e cultural, em parceria com a iniciativa privada, associações de classe e segmentos da sociedade civil, evitando-se o vício do paternalismo e do intervencionismo estatal.
Coordenação: Maurício Rudner Huertas (mauriciorh@uol.com.br)